Leitura obrigatória para o vestibular 2012 da Fuvest e Lista 2011 de livros obrigatórios é a mesma para vestibular 2012.
A Fuvest e a Comvest, que organizam os vestibulares da USP e da Unicamp, vão manter a lista de livros obrigatórios para os vestibulares com ingresso em 2012.
A lista é a mesma de 2010 para que o estudante do ensino médio possa ter mais tempo para se preparar. Segundo o manual do candidato do último vestibular, o vestibulando deve demonstrar "conhecimento das obras representativas dos diferentes períodos das literaturas brasileira e portuguesa. O conhecimento desse repertório implica a capacidade de analisar e interpretar os textos, reconhecendo seus diferentes gêneros e modalidades, bem como seus elementos de composição, tanto aqueles próprios da prosa quanto os da poesia. Implica também a capacidade de relacionar os textos com o conjunto da obra em que se insere, com outros textos e com seus contexto histórico e cultural."
Veja quais são os livros do vestibular 2012:
*Auto da Barca do Inferno - Gil Vicente
*Memórias de um Sargento de Milícias - Manuel Antônio de Almeida
* Iracema - José de Alencar
*Dom Casmurro - Machado de Assis
*O Cortiço - Aluísio Azevedo
*A Cidade e as Serras - Eça de Queirós
*Vidas Secas - Graciliano Ramos
*Capitães da Areia - Jorge Amado
*Antologia Poética (com base na 2ª ed. aumentada) - Vinícius de Moraes
Vamos começar a estudá-las?
O Auto da Barca do Inferno - Gil Vicente
É a primeira peça ( e a mais interessante) da Trilogia das Barcas e classifica-se como auto da moralidade . Gil Vicente coloca no palco a sociedade de seu tempo, que é a espectadora ela própria da representação, que vale como uma advertência e uma lição, indicando os pecados que a afastam da salvação.
A peça tem como cenário dois batéis colocados, em oposição, à margem da ribeira que separa o reino dos vivos do reino dos mortos. Por essas duas barcas desfilam pecadores mortos, ou suas almas, revestidas das mesmas carcterísticas, vestimentas, instrumentos e objetos associados à posição social e aos pecados de cada um.
É uma alegoria do Juízo Final, com o Diabo e o Anjo conduzindo as pessoas à vida eterna, a partir do julgamento de suas virtudes e defeitos.
As personagens do Auto da Barca do Inferno são, por ordem de entrada:
- Anjo: capitão da barca do Céu, é ele quem elogia a morte pela fé; é austero e inflexível.
- Diabo: o capitão da barca do Inferno, é quem apressa o embarque dos condenados; é dissimulado e irônico.
- Fidalgo: membro da nobreza, arrogante e presunçoso, é a personificação da própria plateia que assistia à encenação dos autos e farsa de Gil Vicente.
- Onzeneiro: é um agiota, um usurário, de quem o Diabo diz ser parente. Idolatra o dinheiro e de tudo que juntou, nada levou para a morte, ou melhor, levou a bolsa vazia. A usura e a ganância eram pecados mortais intoleráveis, revelando a defesa da posição da Igreja Medieval, contrária à especulação e à idolatria ao dinheiro.
- Joane, o Parvo: é um bobo, um tolo, um ignorante, incapaz de compreender, mas consciente de sua condição de excluído socialmente, humilde, rude, franco e sem malícia. Sua absolvição decorre do princípio cristão de que "bem aventurados são os pobres de espírito, porque deles é o reino do céu".
- Sapateiro: é um artesão desonesto e um falso beato; é a personificação da má-fé no exercício da profissão e prática de uma religiosidade apenas formal, destituída do sentido autenticamente cristão.
- Frade: libertino, mais cortesão do que religioso, amante de Dona Florença e exímio espadachim; é subjugado por suas fraquezas: mulher e esporte. Leva a amante e as armas de esgrima ao morrer. Representa o clero decadente e a condenação do falso moralismo religioso, confirmando a máxima de que o hábito não faz o monge.
- Florença: amante do padre.
- Brígida Vaz: a alcoviteira, a cafetina e feiticeira. A prostituição e a feitiçaria são as práticas pelas quais a personagem é condenada à barca do Inferno.
- Judeu: é aparentemente tão execrado que nem o Diabo o quer em sua embarcação, especialmente porque chega acompanhado do bode, símbolo de sua religião e do qual não quer se separar. A rigor, seu único "pecado" é o de não ser cristão. É importante observar que Gil Vicente, cuja tolerância religiosa tem sido enfatizada pelos biógrafos, parece ter adotado uma solução ambígua quanto à condenação do personagem, uma vez que o registra o preconceito quinhentista contra os judeus, porém omite um juízo pessoal ou comprometedor sobre o tema.
- Corregedor: magistrado, juiz de direito; é arbitrário e representa aqueles que se valem da autoridade de seus cargos para enriquecerem de forma ilícita.
- Procurador: advogado do Estado.
- Enforcado: sua condenação recoloca em cena a crítica à burocracia corrupta.
- Os quatro cavaleiros: representam a glorificação do ideal das Cruzadas e do cristianismo puro.
A caricatura dos tipos sociais apresentados no Auto da Barca do Inferno não é gratuita nem artificial, mas é o resultado da acentuação de traços típicos. Gil Vicente visa, não às instituições, mas aos indivíduos que as corrompem. O que pretendia era resgatar instituições nas quais acreditava: a Igreja e a Nobreza; o que ele queria era salvá-las do dinheiro e das ambições mundanas.
Quanto à estrutura, observa-se uma descontinuidade das cenas que se superpõem, sem encadeamento cronológico ou sem um enredo articulado, com começo, meio e fim, no entanto é totalmente coerente com o caráter didático do auto porque facilita o distanciamento do espectador.
Em o Auto da Barca do Inferno, Gil Vicente manifesta uma visão medieval do mundo em transformação para o Renascimento porque condena de forma explícita a preocupação com a riqueza material, com a ostentação e com a vaidade, demonstrando uma concepção mística do homem como ser dotado de uma vida espiritual que transcende a materialidade da carne, como um ser dotado de uma "alma", que necessitava se salvar das tentações do mundo que começava a emergir da Revolução Comercial, do mercantilismo e do nascente capitalismo.
Lembrando:
Auto é uma designação genérica para textos poéticos ( normalmente em redondilhas) criados para representações teatrais no final da Idade Média. A maioria dos autos apresenta caráter predominantemente religioso, embora a obra de Gil Vicente nos ofereça vários exemplos de temática profana e satírica (as farsas), sempre com preocupações moralizantes.
Bom estudo!
A caricatura dos tipos sociais apresentados no Auto da Barca do Inferno não é gratuita nem artificial, mas é o resultado da acentuação de traços típicos. Gil Vicente visa, não às instituições, mas aos indivíduos que as corrompem. O que pretendia era resgatar instituições nas quais acreditava: a Igreja e a Nobreza; o que ele queria era salvá-las do dinheiro e das ambições mundanas.
Quanto à estrutura, observa-se uma descontinuidade das cenas que se superpõem, sem encadeamento cronológico ou sem um enredo articulado, com começo, meio e fim, no entanto é totalmente coerente com o caráter didático do auto porque facilita o distanciamento do espectador.
Em o Auto da Barca do Inferno, Gil Vicente manifesta uma visão medieval do mundo em transformação para o Renascimento porque condena de forma explícita a preocupação com a riqueza material, com a ostentação e com a vaidade, demonstrando uma concepção mística do homem como ser dotado de uma vida espiritual que transcende a materialidade da carne, como um ser dotado de uma "alma", que necessitava se salvar das tentações do mundo que começava a emergir da Revolução Comercial, do mercantilismo e do nascente capitalismo.
Lembrando:
Auto é uma designação genérica para textos poéticos ( normalmente em redondilhas) criados para representações teatrais no final da Idade Média. A maioria dos autos apresenta caráter predominantemente religioso, embora a obra de Gil Vicente nos ofereça vários exemplos de temática profana e satírica (as farsas), sempre com preocupações moralizantes.
Bom estudo!
Adorei Leda!!
ResponderExcluirVou passar pra minha filha que vai fazer vestibular esse ano.
Obrigada pela dica.
Beijão.
Demais Leda!! Tive aula sobre isso hoje e com certeza vai ajudar muito na tarefa ;D
ResponderExcluirAdorei a idéia do blog, parabéns!
Saudades!!