Vidas Secas
O enredo gira em torno de uma família que migra de tempos em tempos para fugir da seca. Ela é composta por Fabiano, sua esposa Vitória e seus filhos (cujos nomes não aparecem, são chamados de “Menino mais Velho” e “Menino mais Novo”). “Também tem a cachorra Baleia, que é parte da família”.
São as personagens secundárias, no entanto, que destacam a principal ideia do livro. “A família é vítima da seca, mas seus problemas vêm também da sociedade: Fabiano representa a repressão política”; o soldado amarelo, por sua vez, assume o papel da repressão das instituições, quando bate e prende em Fabiano.
A linguagem usada por Graciliano nesta obra também se destaca, uma vez que ele criou uma linguagem adequada à seca, o próprio estilo é seco, o autor diz muito com poucas palavras. Ele usa adjetivos de forma muito interessante, chamando atenção para a paisagem, com um estilo muito direto.
Uma outra particularidade de Vidas Secas:é o fato do narrador buscar os pensamentos dentro das personagens( narrador onisciente), porque elas não exteriorizam o que pensam, nem o que sentem. Graciliano Ramos faz uma reflexão que vai além da questão social: trata dos aspectos psicológicos da opressão social. “A vida é seca, não só o ambiente. A vida é seca a partir de quando o homem também é”.
É importante observar que Vidas Secas relaciona-se com O Cortiço e Capitães de Areia também indicados pela Fuvest por abordar problemas sociais, mas se diferenciam pelos seus cenários: na medida em que a obra de Graciliano faz referência a uma realidade rural, as outras duas obras tratam de questões urbanas.